Leia minha coluna na Tribuna da ImprensaNão Compre Tartaruga por Lebre
By Alexandre Cruz Almeida 

Por algum insondável problema técnico, minha última coluna, publicada nessa sexta-feira, 23 de janeiro, não apareceu na versão on-line do jornal. Aqui vai ela, na íntegra.

Afinal, a que velocidade você realmente navega? Seu provedor pode estar lhe cobrando por um acesso de 256k ou 512k, mas será isso o que você está de fato obtendo?

Não há como ter certeza, mas podemos chegar perto.

Uma solução são os sites que testam a velocidade de sua conexão. O teste é relativamente simples: eles fazem o download de um programa pequeno para o seu computador (em geral, 300k) e medem quanto tempo a transferência leva para se concluir.

Utilizei alguns desses sites para medir a velocidade da minha conexão. Segundo o Velox, ela deveria ser de 256k, mas obtive:

http://super.sisgel.com/medidor.asp - 286k (Indicação não confiável, velocidade maior que a contratada)

http://www.maclink.com.br/teste.html - 205k

http://www.ip2.com.br/home/content/ip2/bandalarga - 183k

A situação fica ainda pior quando levamos em consideração que o teste foi realizado em uma madrugada, de domingo pra segunda.

Quando o Velox me vende um plano de conexão a 256k, essa é a velocidade nomimal de conexão. Quer dizer, pago R$83 por mês à Telemar, que investiu meu rico dinheirinho em tecnologia de ponta para garantir que minha conexão atinja e, de preferência, mantenha, essa velocidade de 256k, mesmo nos horários de pico.

Em horários mais tranqüilos, como na madrugada de domingo pra segunda, com menos gente utilizando banda, a velocidade poderia ser até maior, pois a demanda é baixa.

Mesmo assim, você poderia pensar, não fiquei muito longe da velocidade contratada, certo?

Errado.

Testes como esses são bons guias para se ter uma idéia da qualidade de sua conexão, mas eles medem somente a velocidade de download.

Naqueles dias em que você precisa baixar um programa de 14MB, ou aquele filme gigantesco que um amigo quer lhe passar, a velocidade de download é fundamental. Mas, convenhamos, você não fica o tempo todo na web baixando arquivos: você fica navegando.

Qual é então a sua velocidade de navegação?

Aí é que a coisa fica ainda pior.

O Numion realiza uma navegação simulada por 40 sites (do Brasil ou do mundo) para tentar determinar a que velocidade você, de fato, navega. Os resultados são deprimentes.

Na mesma madrugada ociosa, quando o aproveitamento deveria ser o melhor possível, minha velocidade real de navegação não passou de 80k.

Hora de juntar os aldeões, acender as tochas e subir a colina para queimar o Velox, o Virtua, o Speedy e quem mais vender falsa banda larga?

Ainda não.

Infelizmente, como falei no começo, essas coisas são difíceis de medir.

Vários fatores influenciam sua velocidade de download e de navegação, desde os mais alheios (engarrafamento da rede, localização do site ou quantidade de usuários conectados) até os mais pessoais (quantidade de janelas abertas no momento da medição ou capacidade de processamento da sua máquina).

Conversei com Horácio Belfort, presidente da ABUSAR (Associação Brasileira dos Usuários de Acesso Rápido), cujo objetivo é melhorar a qualidade dos serviços de acesso à Internet por banda larga.

A velocidade de conexão oferecida pelas operadoras de telecomunicações sempre foi bastante inferior ao que prometiam em suas propagandas e contratos. O consumidor, como de costume, ficava sem pai nem mãe: a irregularidade era difícil de comprovar e, mesmo feita a reclamação, provedores e operadores de telefonia jogavam a culpa um no outro até que o usuário desistisse.

Aos poucos, a ABUSAR vêm conseguindo obter provas técnicas de irregularidades no setor, bem como de acertos ilegais (leia-se cartelização) entre provedores e operadoras de telecomunicações para extorquir o consumidor.

Segundo Belfort, a falta de normatização impede um cálculo preciso da velocidade de conexão dos usuários. Além disso, os medidores dos provedores tendem a indicar maior velocidade para os seus usuários, e menores para os dos concorrentes. Uma boa recomendação é checar a página de medidores da ABUSAR, onde estão listados alguns dos melhores sites e softwares que realizam esse cálculo.

Então, o que fazer?

O conselho de Belfort é simples: teste a sua velocidade de download tanto nas horas tranqüilas quanto nas horas de pico. Anote as velocidades encontradas. Se os números forem consistentemente menores do que sua velocidade de conexão contratada, reclame com sua operadora e anote o número da ocorrência.

Faça questão de ressaltar que vai reclamar com a Anatel em seguida. As operadoras têm pânico da Anatel. Em muitas delas, basta o cliente mencionar o nome da Anatel para ser direcionado para um setor diferente, onde receberá maior prioridade no atendimento.

Espere um pouco para ver se o problema se resolve. Se não, pegue todas as evidências que coletou (horários, velocidades, números de ocorrência) e leve tudo para a Anatel.

Em caso de dúvidas, entre em contato também com a ABUSAR.

As grandes empresas de telecomunicação só falam a linguagem do dinheiro. Quanto antes nos tornarmos fluente nessa língua, melhor.

Links Úteis:
ABUSAR
Numion
Anatel
Medidores de Conexão


Olá Horácio.  
Desculpe não ter podido responder antes. 
A matéria saiu na sexta-feira, mas não apareceu na versão online do jornal. 
Eu estava em Fortaleza e levei o maior susto, achando que a matéria não tinha saído.
 
Não tive como lhe avisar, mas postei no meu blog a íntegra da matéria. 
Dê uma olhada lá e pode linkar.
 
Abraços e muito obrigado pela ajuda,

alexandre cruz almeida
    site:    mulher de um homem só (http://www.sobresites.com/alexandrecruzalmeida)
    blog:   liberal libertário libertino (http://liberallibertariolibertino.blogspot.com)