ADSL e Cable Modem brigam pelo Mercado

Diário de Pernambuco

Quarta-Feira - 14 de Abril de 1999

ADSL e Cable Modem brigam pelo mercado

As duas tecnologias fazem parte do futuro da Internet e garantem tráfego em altas velocidades

A busca pelas altas velocidades de conexão está sendo o pivô de uma guerra montada nos bastidores da Internet. Operadoras de telecomunicação, provedores de acesso e operadoras de TV a Cabo estão na briga por tecnologias capazes de deixar o ISDN (sistema de linhas digitais oferecido pela Telemar e que fornece acesso até 128Kbps) com cara de modem de 2.400 bps.

Nesta guerra, é difícil prever quem vai levar a melhor. A única certeza é de que o usuário - que este ano já participou de uma greve reinvidicando a redução dos custos de acesso - vai ter que desembolsar alguns reais a mais para aproveitar os novos serviços que vão turbinar a Internet doméstica.

O ADSL é uma das armas que mais vem chamando a atenção de provedores de acesso e operadoras de telecomunições. Afinal, estamos falando de uma tecnologia que é a prova de que - assim como na natureza - nada se cria, tudo se transforma. Ela aproveita a estrutura de cabos de pares da linha telefônica convencional, para trafegar dados em uma velocidade que pode chegar a ser até dez vezes maior do que a de um modem de 56Kbps.

A tecnologia oferece acesso assimétrico. Ou seja, a velocidade com que é feita a transmissão do provedor para a casa do usuário é diferente da velocidade com que os dados trafegam em sentido contrário. O sistema pode chegar a uma velocidade teórica de até 8Mbps.

No entanto, é preciso saber que a velocidade varia de acordo com a distância entre a casa do usuário e o provedor de acesso. Isto porque o ADSL transporta os dados pela mesma estrada por onde passeiam as linhas telefônicas. Portanto, à medida que as distâncias crescem, aumentam também os riscos de interferências capazes de diminuir a velocidade de transmissão.

CABO - No outro lado do front, estão as operadoras de TV a Cabo, que receberam em dezembro a autorização da Agência Nacional de Telecomunicações para iniciar os testes como provedores de acesso à Rede. Segundo a assessoria de imprensa da Anatel, os testes vão até julho e a normatização definitiva deve sair em agosto.

Na tecnologia de acesso à Internet via cabo, os dados são transportados através de cabos de fibra ótica que saem da operadora e vão diretamente até a casa do usuário. Lá, o cabo da TV será dividido em duas partes: uma conectada ao set top box da TV para transmissão dos canais e outra ligada ao cable modem (o modem especial para conexão com a Rede).

As taxas de transmissão chegam a 10Mbps, mas a velocidade é compartilhada com todos os usuários do sistema e vai depender do equipamento e da configuração da operadora da TV. Outra característica do serviço é que o usuário vai poder escolher a velocidade que deseja. Obviamente, quanto mais veloz, mais caro é o serviço. "As tecnologias de acesso mais veloz à Internet têm, naturalmente, uma demanda muito grande. O serviço prestado pelas operadoras de TV a cabo tem muitas possibilidades de conquistar uma boa fatia do mercado no Brasil", aposta o consultor da Cisco para desenvolvimento de novas tecnologias, Luís Carlos Rêgo.

No entanto, é impossível prever quando a novidade vai estar por aqui, uma vez que ainda não existe na cidade o serviço de TV a cabo. Existem empresas de TV por assinatura, mas que transportam os dados via satélite ou microondas.

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